domingo, 3 de maio de 2009

Construção sem tijolos

Em meio ao período de expansão imobiliária que atravessa Santa Cruz do Sul, a construção de um edifício de 14 andares em pleno Centro poderia passar despercebida não fosse um detalhe: não há tijolos na obra. Do primeiro ao último pavimento, o prédio em estilo neoclássico que toma forma na esquina da Avenida do Imigrante com a Rua Guilherme Hackbart, com salas comerciais no térreo e apartamentos voltados para a classe média, será todo erguido com o uso de concreto celular.
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Comum na Europa e utilizado no Brasil há dez anos, porém de forma muito tímida, o produto está sendo pesquisado, adaptado e aplicado pela Kopp, de Vera Cruz, que atua nas áreas de tecnologia e construção civil. Proprietário da empresa e principal incentivador do uso do concreto celular, assunto que vem estudando há 15 anos, Eliseu Kopp salienta que a tecnologia é ecologicamente correta. “Ela dispensa o uso de tijolos e madeirame, agiliza a obra, torna o acabamento mais prático e ainda garante maior conforto térmico e acústico ao imóvel depois de pronto”, destacou, assegurando que o custo fica dentro da média de uma construção tradicional.
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Feito a partir de areia comum e cimento, o concreto celular toma forma na obra. A própria empresa desenvolveu a concreteira, equipamento responsável pela transformação. Aos ingredientes tradicionais é acrescido o espumígeno, produto biodegradável importado da Itália que tem entre seus componentes chifres e patas de bovinos. Semelhante a um xarope concentrado, cada litro de espumígeno gera aproximadamente 500 litros de uma espuma densa, semelhante à dos cremes de barbear.
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MAIS RESISTENTE
Misturada ao cimento, a espuma é o que acaba dando origem ao concreto celular. Também conhecido como concreto de densidade controlada, é mais leve e tem alta resistência. A dosagem é feita de acordo com a quantidade de matéria-prima utilizada. Depois de pronto o concreto fica aerado, ou seja, com pequenas bolhas de ar. Segundo Kopp, apresenta resistência de 400 quilos por centímetro quadrado, enquanto o tijolo maciço com argamassa tem resistência de 100 quilos por centímetro quadrado e, o tijolo de seis furos, de até três quilos por centímetro quadrado.
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Depois de pronto, o concreto celular é aplicado por meio de fôrmas. A obra é limpa e avança rapidamente. “Pelo sistema convencional de construção seria praticamente impossível dar ao prédio todos os detalhes do estilo neoclássico que ele terá. Com o uso do concreto celular nos valemos de fôrmas com o desenho e o estilo que o projeto exigir”, destacou Kopp, revelando que seu objetivo a partir do edifício do Centro de Santa Cruz é contribuir para a difusão da tecnologia. “É preciso avançar. Hoje se ergue uma parede do mesmo jeito que se erguia há cem anos. É como se, comparando com o automobilismo, estivéssemos ainda na época dos carros artesanais”, disse.
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A meta de Kopp é ousada. Cada prédio que ele erguer com o uso de concreto celular terá que dar origem a pelo menos outros dois. Para isso, a empresa investe na qualificação da mão de obra. Operários preparados fazem a diferença. “A tecnologia exige qualificação contínua. Dá mais segurança e conforto a quem trabalha na obra”, salienta. O resultado, garante, é mais qualidade de vida tanto para quem trabalha na construção quanto para quem irá morar no imóvel.
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Fonte: Gazeta do Sul